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Tudo sobre a maconha: o que é, usos e efeitos colaterais

Mais uma vez estou aqui para revelar e explicar sobre as drogas e seus efeitos, bem como suas relações com a dependência química.

A maconha ocupa o topo das estatísticas globais de consumo, o que torna o debate sobre seus impactos uma necessidade urgente de saúde pública. Incontestavelmente, a alta prevalência apontada pela UNODC reflete a urgência de discutirmos o tema com clareza, afastando estigmas e focando na realidade clínica.

O que é maconha?

A maconha também conhecida como Cannabis Sativa, é a droga ilícita mais consumida no mundo, perdendo apenas para o cigarro e o álcool.

Essa é uma droga que possui um efeito psicoativo alucinógeno proveniente das várias substâncias que a compõem, são mais de 400 substâncias, dentre as quais algumas com importantes propriedades medicinais, contudo 60 dessas substâncias comportam os canabinoides que dão o efeito alucinógeno.

O que leva ao uso da maconha?

Essa é uma questão complexa que não possui uma única resposta, pois o contexto em que a pessoa vive, os acontecimentos ao seu redor, sua personalidade e os aspectos biológicos são alguns dos fatores que podem influenciar em seu uso.

Segundo a minha experiência, o motivo para a procura da maconha ou qualquer outra droga é além de tudo algo particular que varia de pessoa para pessoa, mas há alguns motivadores gerais como a busca de aceitação social em grupos, muito comum na adolescência, relação parental prejudicada, comportamento agressivo, a busca por amenizar os efeitos de transtornos mentais como esquizofrenia, falta de auto controle ou conduta antissocial.

Os estudos nessa área vêm avançando com o tempo, mas não foi encontrado um fator único que leve ao consumo da maconha, pois, são sempre motivos particulares e ainda que existam motivos mais comuns, estes também são permeados pela visão da pessoa sobre aquele fato.

Tipos de maconha

A diversidade da planta Cannabis reflete tanto a seleção natural quanto a intervenção humana para fins específicos. Sob esse prisma, enquanto a Sativa é a linhagem mais difundida historicamente, as outras variantes surgiram para atender demandas que variam do uso medicinal à potência recreativa.

O Haxixe e o Skunk representam formas muito mais concentradas de consumo da cannabis. Nesse sentido, embora derivem da mesma planta, seus processos de produção elevam a potência dos efeitos psicoativos, o que intensifica os riscos de dependência e danos à saúde mental.

Sativa

Tendo seu uso mais antigo associado a 2800 a. C na china, e sendo a primeira a ser utilizada tanto para fins medicinais quanto recreativos, sua substância principal é o THC (Tetrahidrocanabinol) presente em todas as partes da planta.

A Cannabis destaca-se por sua versatilidade, servindo tanto ao consumo recreativo quanto ao setor industrial. Nesse sentido, enquanto o uso inalado busca os efeitos psicoativos, o cânhamo representa a faceta utilitária da planta, sendo explorado por sua resistência física e valor nutricional.

Indica

A cannabis indica possui muito mais canabinoídes e THC em relação a sativa chegando a ser até 5 vezes maior, possui mais efeitos sedativos do que a sativa se usada de modo medicinal, a variedade indica se apresenta com crescimento menor, possuindo folhas mais largas e assumindo formas cônicas.

Os efeitos da indica são muito mais voltados para o relaxamento do corpo e até sono quando consumida de modo recreativo.

Híbrida

O tipo híbrido como o próprio nome diz é uma mistura, entre sativa e indica, variando as proporções entre as duas, fazendo o cruzamento entre espécies para selecionar cuidadosamente as características mais importantes de cada uma.

As plantas híbridas surgem do cruzamento genético planejado, herdando características físicas e químicas das linhagens Sativa e Indica. Dessa forma, sua aparência e estrutura variam conforme a dominância genética estabelecida pelo produtor no laboratório ou no cultivo.

Ruderalis

A espécie provém da parte central do continente asiático, possui uma resistência elevada a variação climática diferentemente das outras, é a de menor estatura e contém um florescimento mais rápido que as demais.

Possui índices baixíssimos de THC, menos de 3% ao todo, mas ainda contém altos níveis de canabinoides, tem sido cada vez mais procurado por seu potencial de sobreviver e florescer sobre quase toda situação, se comportando como uma erva daninha.

É importante mencionar que nem todos os botânicos consideram a ruderalis como um novo tipo de espécie de maconha, alguns afirmam que ainda não é possível a classificar de tal forma, necessitando de mais estudos.

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Tudo sobre a maconha: quais são as propriedades da planta? 

Embora todas as espécies de Cannabis compartilhem os mesmos componentes básicos, a “assinatura” química de cada uma é única. Nesse sentido, é a proporção entre os canabinoides que determina se o impacto no organismo será predominantemente terapêutico, estimulante ou sedativo.

Assim como relatei anteriormente a maconha possui mais 400 substâncias contidas em cada planta, sendo deles o mais importante e conhecido o THC e os canabinoides, que são um grupo de substâncias que possuem 21 átomos de carbono em sua composição e sendo passíveis a outras transformações.

Os canabinoides interagem com o sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores espalhados por todo o corpo. Contudo, a ciência moderna aprendeu a isolar compostos específicos para extrair benefícios medicinais sem necessariamente causar o “barato” ou a confusão mental típica do uso recreativo.

Ressalto que esses dados e estudos de uso terapêutico são de caráter experimental e que ainda podem ser acompanhados de efeitos colaterais do uso.

O THC é o principal componente psicoativo que garante o efeito alucinógeno quando em alta quantidade e que naqueles que são mais suscetíveis gerar até mesmo efeitos psicóticos.

Ao viajar pela corrente sanguínea chega até os neuro receptores localizados no cerebelo, córtex e hipocampo, causando principalmente alteração de tempo e espaço, relaxamento ou euforia e déficit na memória. 

Também pode ser usado de forma terapêutica com aplicações diretas, como tratamento de glaucoma, doenças cardiovasculares ou perda de apetite em paciente com AIDS; ainda que com o risco de efeitos colaterais.

E como cada planta possui uma proporção diferente das mesmas substâncias, algumas podem apresentar certos efeitos mais fortes ou mais fracos; como por exemplo a Cannabis do tipo sativa que apresenta um efeito estimulante e alucinógeno forte, enquanto a indica possui um efeito mais analgésico e relaxante. 

Quais são os principais usos de maconha?

A maconha pode ser usada para diversos fins, mas aquele que predomina é o seu uso recreativo.

Embora o fumo seja a via mais comum, a ingestão da maconha através de alimentos (os chamados edibles) altera drasticamente a farmacocinética da droga. Nesse sentido, ao passar pelo trato digestivo, o THC é convertido pelo fígado em 11-hidroxi-THC, uma forma muito mais potente e duradoura do que a inalada.

Medicinalmente o canabidiol, dronabinol, naxibimols são as substâncias prescritas para os tratamentos, geralmente através de pílulas por via oral, retal ou até mesmo por vaporização.

O uso terapêutico de canabinoides em doenças neurológicas e degenerativas apresenta resultados promissores. Nesse sentido, o tratamento para o Parkinson já é realidade em muitos consultórios, auxiliando no controle dos tremores e na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

A regulação da ANVISA busca equilibrar a segurança do paciente com a necessidade de acesso a tratamentos inovadores. Nesse sentido, embora a burocracia pareça um obstáculo, ela serve para garantir que o óleo importado não contenha impurezas ou níveis perigosos de THC.

Os estudos clínicos indicam que a maconha auxilia no tratamento de forma a reduzir os efeitos de dor e melhorar na qualidade de vida, porém, não há nada que indique uma melhora no processo de cura ou até mesmo uma cura definitiva.

A maconha causa dependência?

Se ocorrer de forma medicinal, onde o uso é restrito e controlado pelo médico, e se for apenas o canabidiol o risco é basicamente inexistente, mas especialistas alertam para medicamentos com THC que podem levar ao abuso. 

O principal efeito da dependência na tentativa de interrupção do uso, pode levar a efeitos colaterais como insônia, irritabilidade, agitação, náusea e pânico.

Nesse aspecto a maconha não é diferente de outras drogas, apesar dos seus efeitos serem considerados mais tênues quando comparados a drogas mais pesadas. Com a minha experiência posso lhe dizer que nem por isso deixa de ser prejudicial para nossa mente e corpo.

Como funciona a maconha no nosso corpo?

A farmacocinética da cannabis explica por que os efeitos são sentidos quase instantaneamente após a inalação. Sob esse prisma, a fumaça carrega os canabinoides diretamente para os alvéolos pulmonares, permitindo que as substâncias atinjam o cérebro em poucos segundos, sem passar pela filtragem inicial do sistema digestivo.

Aumento da frequência cardíaca

Como já foi visto ao longo deste artigo, a maconha é um tipo de droga que causa diversos prejuízos a saúde do indivíduo. O uso contínuo da maconha pode aumentar a frequência cardíaca, podendo gerar também outras doenças como a hipertensão arterial e arritmia.

Se faz importante destacar que a maconha pode ter seus efeitos intensificados conforme o estilo de vida que o dependente possui. Por exemplo, o sedentarismo e o aumento do consumo de álcool ou outras drogas. 

Como ela age no sistema nervoso central, pode acabar gerando um maior índice de ansiedade, depressão, psicoses entre outros. 

Portanto, estes fatores podem estar relacionados a problemas cardiovasculares, desta forma, logo se vê que a maconha possui efeitos preocupantes no coração e que pode acabar causando a morte.

Sonolência

A sonolência é um efeito que aparece após o consumo da maconha. Assim, como ela provoca uma sensação de bem-estar e relaxamento, ela pode acabar a induzindo.  

A busca pela maconha como indutor do sono é um fenômeno comum, porém enganoso a longo prazo. Nesse sentido, embora o relaxamento inicial facilite o adormecer, a substância interfere na qualidade biológica do repouso, impedindo que o cérebro atinja as fases de restauração profunda.

Perda de coordenação motora

Os efeitos do consumo da maconha também incluem a perda ou diminuição de coordenação motora. 

A maconha provoca um relaxamento profundo que, consequentemente, compromete o processamento de estímulos motores. Nesse sentido, o THC atua diretamente no cerebelo e nos gânglios da base, regiões essenciais para a precisão dos movimentos e a manutenção da postura.

Alterações na percepção de tempo

Este também representa um efeito negativo desse tipo de substância, mas vale lembrar que assim como outros, esse também é um efeito subjetivo. Ou seja, depende do organismo do indivíduo, pois as pessoas manifestam sintomas diferentes.

Prejuízos a memória

A maconha é uma droga que pode causar prejuízo devastador a memória de curto prazo do dependente, pois causa alterações no sistema nervoso central. Este fato prejudica o processo de solidificação da memória, impossibilitando a armazenagem de informações. 

Como o organismo do indivíduo se encontra afetado pelo consumo da maconha, o seu cérebro pode acabar impedindo que ele armazene novas informações em sua memória.

Insônia

O consumo de maconha interfere diretamente no hipocampo, a região do cérebro responsável pela formação de memórias. Nesse sentido, o uso precoce — durante a adolescência — é especialmente danoso, pois o sistema nervoso ainda está em pleno desenvolvimento. Isso pode cristalizar déficits cognitivos permanentes.

Alterações no humor 

O consumo de maconha gera um impacto sistêmico, desequilibrando diversas funções vitais de forma simultânea. Dessa forma, a droga não afeta apenas a mente, mas desencadeia uma cascata de alterações que comprometem a saúde física e a dinâmica social do usuário.

A maconha provoca alterações no humor que podem variar de pessoa para pessoa. Nesse sentido, alguns podem ser sensação de felicidade, relaxamento e bem-estar, ansiedade ou irritabilidade por exemplo. 

Tudo sobre a maconha: o uso medicinal

Apesar do avanço nas discussões, a ciência ainda mapeia o potencial completo dos canabinoides por meio de rigorosos ensaios clínicos. Nesse sentido, o que já está consolidado é que a planta não é uma cura universal. Mas sim uma ferramenta terapêutica valiosa para sintomas resistentes a métodos convencionais.

Existe tratamento para o uso da maconha?

O tratamento da dependência de cannabis exige uma abordagem personalizada, já que não existe um “antídoto” ou medicação única que anule o vício. Nesse sentido, o foco clínico reside na combinação de estratégias que reorganizam o sistema de recompensa do cérebro e tratam as causas do consumo.

Conclusão

A maconha é um tipo de droga capaz de gerar dependência e este é um fator muito preocupante devido ao aumento do seu consumo. Para muitas pessoas a maconha parece ser uma droga inofensiva, mas engana-se quem pensa desta forma. Pois, assim como as outras ela pode gerar prejuízos a saúde do indivíduo a curto e longo prazo. 

Essa droga pode causar alterações físicas e psicológicas ou no humor, além de desencadear outros tipos de doenças. São diversos os fatores que podem levar uma pessoa a usar drogas. Mas, uma coisa é certa, uma vez instalada a dependência mais prejuízos o indivíduo terá na sua saúde. 

Portanto, para não cair na sua armadilha, se deve evitar esse tipo de droga. Pois os efeitos da dependência química podem ser irreversíveis, sem contar que acaba prejudicando também os relacionamentos interpessoais. 

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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