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Conheça as fases da desintoxicação do dependente químico

As fases de desintoxicação do dependente químico representam um momento decisivo dentro das etapas de cuidado. 

É um processo que desperta dúvidas comuns, como quanto tempo leva para desintoxicar um dependente químico ou o que fazer quando um dependente químico tem recaída

Isso porque a desintoxicação envolve mudanças físicas e emocionais intensas, que influenciam diretamente no comportamento do paciente.

A dependência química afeta não só quem faz uso, mas também a família e a rede de apoio, que vivenciam cada uma das fases da dependência química e desempenham papel fundamental no tratamento

Ao longo deste artigo, você vai entender como funciona a desintoxicação, quais são suas etapas, por que ela é tão importante e como se relaciona com os diferentes tipos de dependência química.

O que é desintoxicação de drogas?

A desintoxicação é a primeira etapa formal das fases do tratamento da dependência química. Seu objetivo é retirar a substância do organismo de maneira segura, reduzindo sintomas de abstinência e preparando o paciente para seguir para terapias mais profundas.

Esse processo não significa diminuir doses da droga, mas sim interromper o uso e oferecer suporte médico especializado. 

Como o corpo estava acostumado à substância, surgem reações como irritabilidade, agitação, ansiedade, dores e alterações de humor — efeitos que fazem parte das fases da dependência química.

A equipe avalia o tipo de dependência — álcool, cocaína, crack, benzodiazepínicos, opioides, maconha ou sintéticos — e define o protocolo apropriado. 

A supervisão médica é essencial para controlar riscos e prevenir recaídas, especialmente quando a família tem dúvidas sobre o que fazer quando um dependente químico tem recaída.

Como as drogas agem no organismo?

As drogas psicoativas interferem diretamente no cérebro, modificando a liberação de neurotransmissores. No início, podem gerar euforia e sensação de prazer, mas com o tempo criam compulsão, perda de controle e alterações profundas no comportamento.

O impacto das drogas no corpo

Elas podem modificar a percepção da realidade, reduzir reflexos, alterar coordenação e desencadear episódios de confusão ou delírios. O uso contínuo afeta órgãos como cérebro, fígado, rins, pulmões e coração, enfraquecendo todo o organismo.

Diferenças entre os tipos de drogas

Cada substância age de uma forma:

  • Depressoras como álcool reduzem a atividade cerebral.
  • Estimulantes como cocaína e crack aceleram o organismo.
  • Alucinógenos alteram a percepção sensorial.
  • Sedativos e benzodiazepínicos causam relaxamento profundo e dependência intensa.

Por que não parar abruptamente?

Interromper o uso de forma repentina pode ser perigoso. A abstinência, em alguns casos, inclui convulsões, surtos, arritmias e crises emocionais graves. Por isso, sempre é necessária supervisão especializada — um ponto importante para prevenir recaídas.

Quais drogas exigem desintoxicação?

O processo e o tempo de desintoxicação variam conforme a substância e o padrão de consumo. Quanto maior o impacto no sistema nervoso central, maior a necessidade de acompanhamento profissional.

Álcool

Pode causar convulsões e delírios na abstinência. A retirada deve ser monitorada.

Cocaína e crack

Geralmente geram agitação extrema, paranoia e ansiedade intensa.

Benzodiazepínicos

A suspensão abrupta é perigosa. A retirada é lenta e supervisionada.

Opioides

Provocam abstinência forte e requerem protocolos específicos.

Maconha, em dependência moderada ou grave

Pode gerar irritabilidade, insônia e ansiedade.

Sintéticos e alucinógenos

Podem desencadear surtos, confusão e desregulação emocional.

Desintoxicação em casa: é possível?

Apesar de ser uma ideia comum, desintoxicar um dependente químico em casa não é seguro, especialmente em graus moderados ou graves.

Por que não é seguro?

Os sintomas de abstinência são imprevisíveis e podem incluir convulsões, desmaios, agressividade e risco elevado de recaída. Sem supervisão, complicações podem surgir rapidamente.

Quando a desintoxicação deve ser profissional?

Praticamente sempre — e é indispensável quando há uso de álcool, benzodiazepínicos, crack, cocaína ou opioides, histórico de surtos, doenças associadas ou várias tentativas fracassadas de parar.

Como funciona a desintoxicação do dependente químico?

1. Avaliação inicial

Inclui diagnóstico clínico e psicológico, análise da substância, tempo de uso, comorbidades e riscos.

2. Suspensão da droga e início da abstinência

É quando surgem sintomas como irritabilidade, ansiedade, insônia, tremores e craving.

3. Estabilização clínica

Com medicamentos específicos, a equipe controla dor, agitação, risco de convulsões e alterações cardíacas.

4. Reequilíbrio do organismo

Com o corpo se readaptando, o paciente recupera clareza mental, melhora do sono e estabilidade emocional.

5. Transição para as fases seguintes

Após a desintoxicação, inicia-se psicoterapia, grupos terapêuticos e prevenção de recaídas — etapa essencial para evitar novos episódios.

Como desintoxicar o organismo de drogas

Entenda as fases da desintoxicação do dependente químico

1. Busca por acompanhamento profissional

Fundamental para garantir segurança durante a abstinência, especialmente em dependências graves.

2. Fortalecimento da rede de apoio

A família é peça-chave para estabilizar o paciente emocionalmente.

3. Monitoramento dos sintomas

Sudorese, tremores, agressividade, insônia e náuseas são sinais comuns e precisam de vigilância contínua.

4. Controle das crises de abstinência

A equipe utiliza medicamentos para reduzir riscos e estabilizar o paciente.

5. Suporte emocional

É quando psicólogos e psiquiatras ajudam a reconstruir padrões mentais e comportamentais.

Outras etapas do tratamento

Antes da desintoxicação, o paciente passa por pré-contemplação, contemplação e preparação. Depois dela, entram ação e manutenção — fases essenciais para prevenir recaídas e consolidar a recuperação.

Desintoxicação do dependente químico: como o corpo reage?

O organismo reage intensamente à ausência da droga, o que explica crises de abstinência. Podem ocorrer tremores, ansiedade, agressividade, náuseas, taquicardia, insônia e, em alguns casos, convulsões.

Quanto tempo leva para desintoxicar o organismo de um dependente químico?

O tempo varia conforme a substância, histórico de uso, saúde física e presença de transtornos associados. 

Em média, a fase inicial dura 7 a 21 dias, mas a recuperação completa requer continuidade. Por isso, o Grupo Recanto adota um protocolo de 6 meses, abrangendo corpo, comportamento, prevenção de recaídas e apoio familiar.

Quantos dias para passar a abstinência?

Os sintomas começam entre 6 e 24 horas após a última dose.
Duração média:

  • Álcool: 5–10 dias
  • Cocaína/crack: 7–14 dias
  • Maconha: 7–21 dias
  • Opioides: 5–14 dias
  • Benzodiazepínicos: semanas ou meses

Há a abstinência aguda (dias) e a prolongada (semanas ou meses), que explica por que recaídas são comuns.

Sinais de que o corpo está desintoxicando

  • Sudorese
  • Tremores
  • Insônia
  • Náuseas
  • Irritabilidade
  • Dores no corpo
  • Ansiedade
  • Taquicardia
  • Descontrole emocional

Quais são os cuidados necessários após a desintoxicação

Após a desintoxicação, o paciente entra na fase mais delicada: manter a sobriedade. Como a dependência é uma condição crônica, qualquer descuido pode levar à recaída. Por isso, o acompanhamento psicológico, psiquiátrico e familiar é essencial.

Prevenção de recaídas após a desintoxicação

A recuperação é contínua e depende de apoio, rotina organizada e consciência dos gatilhos. 

Recaídas não significam falha, mas um sinal de que ajustes no tratamento são necessários. Apoio da família, grupos terapêuticos e autocuidado são fundamentais para manter estabilidade.

Como ajudar um dependente químico em tratamento?

A família deve incentivar a participação em grupos de apoio, ajudar a evitar gatilhos, manter diálogo aberto, comunicar riscos à equipe e oferecer suporte emocional constante.

Quais são os resultados da desintoxicação?9

A desintoxicação reinicia o funcionamento do organismo e reduz os impactos físicos imediatos. O paciente ganha clareza mental, melhora do sono e diminuição da fissura. Porém, a desintoxicação não cura a dependência química — ela apenas abre caminho para as etapas seguintes.

Tipos de tratamento após a desintoxicação

A recuperação completa exige continuidade. Os principais formatos incluem:

  • Tratamento residencial, para casos moderados e graves.
  • Acompanhamento ambulatorial, com psicoterapia e psiquiatria.
  • Grupos de apoio como NA e AA.
  • Terapias complementares e atividades estruturadas.
  • Acompanhamento familiar.
  • Reinserção social e profissional.

Conclusão

Ao longo deste artigo, você viu que:

  • As drogas alteram profundamente o cérebro, modificando humor, cognição e comportamento, o que explica o desenvolvimento das fases da dependência química.
  • A desintoxicação é um processo estruturado, que envolve avaliação clínica, manejo da abstinência, estabilização física e emocional, e transição para cuidados contínuos.
  • O tempo necessário para desintoxicar um dependente químico varia, mas a fase inicial costuma durar de 7 a 21 dias — enquanto o tratamento completo exige meses de acompanhamento.
  • Os sintomas de abstinência são intensos em muitos casos, exigindo supervisão profissional para garantir segurança e evitar complicações.
  • A família desempenha papel central, oferecendo apoio emocional, auxiliando na prevenção de recaídas e fortalecendo a rede social de cuidado.
  • A desintoxicação, por si só, não cura a dependência. Ela apenas abre espaço para novas fases do tratamento, como psicoterapia, grupos de apoio, educação emocional e reinserção social.
  • Recaídas podem acontecer, e saber o que fazer quando um dependente químico tem recaída é essencial para evitar agravamentos e manter o paciente protegido.
  • A continuidade do tratamento — residencial, ambulatorial ou por grupos de apoio — é o que realmente sustenta a recuperação em longo prazo.

Acima de tudo, é fundamental compreender que a dependência química não é um fracasso pessoal, mas uma condição de saúde que exige cuidado, ciência, acolhimento e constância. Cada etapa do processo tem seu papel, e nenhuma delas deve ser enfrentada sozinho.

NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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