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Alcoolismo é genético? Entenda o peso do fator hereditário e do ambiental

Nem sempre consumir bebidas alcoólicas torna a pessoa um dependente. É importante saber diferenciar a doença da ingestão que ocorre eventualmente em situações sociais, nesse contexto, algumas características devem ser consideradas para entender o perfil de um alcoólatra.

As mudanças comportamentais normalmente são as primeiras a sofrerem alterações quando o sujeito está enfrentando problemas relacionados ao vício. É comum observar pessoas que tinham o costume de beber em grupo de amigos ou festas familiares e que gradualmente inicia o processo de dependência, bebendo sozinho em momentos onde isso não deveria acontecer.

A presença de um pai alcoólatra na família, muitas vezes é um fator de grande sofrimento para os filhos e o cônjuge. A agressividade que pode se manifestar no comportamento de quem ingere bebidas alcoólicas é capaz de trazer grandes impactos no círculo familiar.

Além disso, o interesse por outras atividades também fica enfraquecido, ou seja, a pessoa para de realizar tarefas e ocupações que em algum momento traziam muito prazer e satisfação. 

O que é alcoolismo e quais seus sintomas?

O alcoolismo é considerado uma doença crônica que tem como principais características a dependência alcoólica e a incapacidade de controlar o desejo pela bebida.

O tipo de alcoolismo vai variar dependendo de uma série de aspectos. Os alcoólatras crônicos, por exemplo, costumam iniciar o consumo na adolescência e mantêm um uso regular por muitos anos. Além disso, eles possuem uma característica genética forte.

Já algumas pessoas costumam manifestar transtornos mentais como alterações de humor. Geralmente, essas pessoas também possuem uma tendência à dependência de diferentes substâncias psicoativas. 

Além dos tipos de alcoolismo que já foram citados, existem outros, como: os alcoólatras funcionais, os que iniciam o consumo na fase jovem adulta, familiar intermediário, entre outros. 

Alguns sintomas podem ajudar a diagnosticar o paciente alcoólatra, entre eles, um dos principais é o consumo de álcool em situações do dia a dia, como no trabalho. Além disso, o paciente pode manifestar delírios, como o de ciúmes, e apresentar descontrole na hora de parar de beber.

Alcoolismo é genético

Desejo incontrolável por bebidas alcoólicas

O desejo incontrolável pelo consumo de bebidas alcoólicas, também chamado de compulsão alcoólica, se refere à incapacidade do sujeito de administrar seus impulsos na hora de consumir a bebida. Nessas situações, o paciente não tem hora nem lugar para beber e isso acaba trazendo grandes repercussões sociais, físicas e emocionais. 

Além disso, é comum o sujeito não conseguir dosar a quantidade de bebida que será consumida, levando a estados de embriaguez que repercutem negativamente na vida social.

Dependência 

A dependência ao álcool é caracterizada pelo consumo contínuo da bebida. Estudos apontam que o alcoolismo é genético e que este fator é de grande importância para o seu desenvolvimento, além disso, fatores ambientais e emocionais também podem contribuir para o quadro.

As consequências provocadas pelo uso constante da bebida podem causar alterações irreversíveis no organismo do dependente. Por isso, é importante ficar atento aos sinais e sintomas que se manifestam no comportamento do sujeito.

Resistência às doses habituais 

A resistência, também chamada de tolerância ao álcool, é definida como a necessidade de uma quantidade cada vez maior da substância para a obtenção dos efeitos desejados. Sendo assim, pacientes dependentes alcoólicos para ficarem embriagados precisam de altas doses da bebida, elevando assim os riscos para a saúde.

Tremedeira 

A tremedeira pode estar presente durante o consumo do álcool ou no período de abstinência. Segundo estudos realizados, um dos fatores que podem contribuir para a manifestação da tremedeira quando o paciente ainda está consumindo o álcool, são as alterações sentidas no corpo pela grande quantidade de bebida consumida.

A principal alteração responsável pelo surgimento da tremedeira seria a diminuição no nível de determinadas vitaminas importantes para o funcionamento do corpo. Outra fase da dependência alcoólica que pode levar ao desenvolvimento de tremores é a abstinência. Nesse processo o corpo passa a ter alterações psicomotoras por estarem sentindo falta do  álcool.

Alcoolismo pode ser genético?

Nervosismo e/ou agressividade

Vários aspectos podem contribuir para o aumento da agressividade e do nervosismo durante o consumo do álcool. A bebida alcoólica promove alterações no corpo e no sistema nervoso. 

Alguns estudos apontam que o alcoolismo é genético e que determinadas áreas do cérebro sofrem um processo de enfraquecimento durante o consumo de bebida alcoólica. Essas regiões são responsáveis pelo controle dos impulsos e da agressividade.

Beber excessivamente também reduz a inibição, podendo levar a pessoa a se tornar mais violenta e nervosa, contudo, é importante pontuar que a agressividade não é resultado apenas do consumo de bebidas alcoólicas, mas demanda uma série de fatores como histórico do paciente, personalidade e fatores estressores que contribuem para esse tipo de comportamento.

Enjoos

É socialmente conhecido que beber muito provoca uma série de sintomas durante a fase conhecida como ressaca, entre esses sintomas o enjoo e os vômitos são os mais comuns. Além disso, o consumo excessivo de álcool tem como consequência a inflamação do corpo, principalmente de órgãos como o estômago e o intestino, causando sintomas como o enjoo.

Alcoolismo pode ser genético?

Para saber se o alcoolismo é genético, primeiro precisamos entender que existem uma série de fatores envolvidos nessa questão, pois ela é uma doença multifatorial. Contudo, a participação da genética nas dependências químicas vem apresentando forte influência para o desenvolvimento da doença.

Pesquisas vêm demonstrando algumas características de filhos de pais alcoólatras que apontam uma tendência genética à dependência alcoólica. Os dados indicam que pessoas que possuem parentes alcoólatras são mais resistentes à embriaguez e mais da metade dos alcoólatras têm parentes com histórico de dependência. 

Além do alcoolismo, outras dependências estão relacionadas com fatores genéticos, como o tabagismo. Estudos apontam que, mais da metade da tendência para o uso do cigarro tem origem em fatores genéticos, comprovando que o tabagismo é hereditário.

O que é alcoolismo e quais seus sintomas?

Fatores hereditários

O histórico de alcoolismo na família torna o sujeito predisposto geneticamente ao desenvolvimento da dependência alcóolica. Para compreender se o alcoolismo é genético, pesquisadores vêm tentando entender o papel dos aspectos genéticos na dependência do álcool e hoje estima-se que 60% dos alcoólatras tenham predominância genética na manifestação da doença.

Fatores ambientais

Os fatores ambientais também têm forte influência no desenvolvimento e na manutenção da dependência em álcool. Em algumas situações o fácil acesso à bebida alcoólica pode levar ao consumo precoce, aumentando a chance de jovens caírem na dependência. 

O círculo social da pessoa também pode contribuir para o aumento na taxa de alcoolismo, surgindo como uma forma de integração dentro de grupos sociais que compartilham os mesmos gostos e utilizam a bebida como uma prática de socialização rotineira. 

Fatores culturais

Os fatores culturais também podem contribuir para a alta taxa de alcoolismo. No Brasil, por exemplo, propagandas e anúncios circulam facilmente e podem ajudar a aumentar o desejo pelo consumo do álcool. 

Outros países como a Coreia, possuem um consumo muito elevado de bebidas alcoólicas, o que pode facilitar a manifestação da doença. Hoje o país asiático é considerado o maior consumidor de bebidas alcoólicas do mundo com uma média de 13,7 doses por semana. 

Como tratar alcoolismo?

Diferentes técnicas e intervenções podem ser utilizadas para promover o cuidado do paciente, mas isso vai depender do grau e da maneira como o paciente encara o consumo da bebida, sendo divididos em subgrupos.

O paciente pode apresentar alcoolismo leve, onde o uso da psicoterapia pode ser suficiente para o cuidado e a reabilitação do indivíduo. Pacientes moderados ou graves demandam, além da psicoterapia, outras intervenções como o uso de terapias medicamentosas, técnicas de reabilitação ou até mesmo internação. 

Alguns pacientes podem vivenciar experiências de excitação durante o consumo do álcool e os que buscam o consumo com o intuito de reduzir sentimentos de ansiedade e isso também vai interferir na escolha do tratamento mais adequado. 

Alcoolismo é genético

Psicoterapia

A terapia cognitivo comportamental é a abordagem mais utilizada e também a que tem maiores comprovações científicas sobre os efeitos positivos no tratamento da dependência alcóolica. 

Decerto, a abordagem fenomenológica foca na dinâmica existencial do paciente para decifrar sua relação com o álcool. Inquestionavelmente, conceitos como autenticidade e presença no mundo permitem compreender o sujeito além da patologia biológica. Ademais, essa perspectiva humanista prioriza o sentido que o indivíduo atribui à sua própria vivência e ao uso da substância. Assim, a análise fenomenológica enriquece o tratamento ao resgatar a subjetividade e a autonomia do paciente em seu processo de cura.

Terapia familiar

A terapia familiar envolve o atendimento grupal de membros da mesma família em um processo terapêutico. Em casos de dependência alcoólica é importante a realização desse tipo de terapia, tendo em vista que, conviver com o alcoolismo promove grandes impactos na vida familiar e social do sujeito.

Primordialmente, o suporte familiar é indispensável para preservar os vínculos afetivos e restaurar a comunicação saudável durante a internação. Não obstante, acolher os parentes permite alinhar expectativas e sanar dúvidas críticas sobre as etapas do cronograma terapêutico. Subsequentemente, essa integração prepara o ambiente doméstico para os desafios pós-alta, garantindo um suporte contínuo. Portanto, fortalecer a família significa estruturar a rede de proteção necessária para a estabilidade do paciente a longo prazo.

Conhecer a doença e entender a subjetividade e os impactos sentidos pelo paciente, pode fornecer um ambiente livre de julgamentos e mais empático com as dificuldades sentidas no decorrer da reabilitação.

Terapia em grupo / Grupos de apoio

A participação em grupos de apoio é de extrema importância durante o processo de enfrentamento do vício em álcool. A rede de apoio promovida por esses grupos dão mais motivação e confiança para que o paciente possa seguir enfrentando as dificuldades do processo de reabilitação.

Um exemplo de grupo de apoio aos dependentes é o Alcoólicos Anônimos que busca promover ações de autoconhecimento, aceitação e aconselhamento. Esse projeto é muito conhecido em todo o Brasil e há muitos anos vem buscando alternativas e intervenções para promover mudanças na vida dos pacientes. 

Outro grupo que trabalha no tratamento do alcoolismo é o Familiares Al-Anon que consiste em um programa de Doze Passos para familiares e amigos de alcoólicos. 

O grupo de apoio deve estar presente na vida do paciente e de todos que estão à sua volta, representando um espaço de compartilhamento das experiências de vida, conhecimento sobre as possibilidades de tratamento e reabilitação, apoio para a superação dos desafios, além de ser um espaço terapêutico que abre portas para que o paciente fale de suas emoções

Medicamentos

O uso de psicoterapias, sejam individuais ou em grupo, ainda são as técnicas mais utilizadas no tratamento do alcoolismo. Contudo, as alternativas medicamentosas estão ganhando cada vez mais notoriedade.

Durante anos, algumas questões dificultam o desenvolvimento de medicações para o tratamento do alcoolismo. O dissulfiram foi durante muito tempo a única opção disponível no mercado para o tratamento da doença.

Com o passar do tempo, os estudos sobre o alcoolismo foram aumentando e outras drogas foram criadas para auxiliar no tratamento. A naltrexona e o acamprosato são outros medicamentos que surgiram depois da realização de alguns estudos.

Hoje, a ciência continua buscando alternativas medicamentosas que sejam eficientes para devolver a qualidade de vida dos pacientes e com os avanços e descobertas realizados sobre o funcionamento do cérebro e a atividade de neurotransmissores, a busca de novas alternativas de tratamento promete progressos cada vez maiores.

Conclusão

Indiscutivelmente, a base genética do alcoolismo gera impactos profundos que desestruturam tanto a vida do paciente quanto sua dinâmica familiar. Todavia, o conhecimento detalhado sobre os gatilhos e mecanismos de desenvolvimento da doença atua como uma barreira preventiva essencial. Efetivamente, compreender a patologia permite que a família identifique sinais precoces e intervenha antes do agravamento do quadro. Desse modo, a informação técnica torna-se a ferramenta mais poderosa para mitigar riscos e fortalecer a resiliência de todos os envolvidos no processo de cura.

Como vimos, assim como a depressão, o alcoolismo também apresenta grande influência de fatores genéticos. Nesse contexto, é importante tomar cuidado com a exposição e o acesso a essas substâncias, principalmente nos jovens que têm muita curiosidade e interesse  no consumo de bebida alcoólica.

Decerto, o modelo biopsicossocial maximiza os resultados ao integrar intervenções clínicas, suporte farmacológico e engajamento familiar. Inquestionavelmente, o sucesso terapêutico depende da identificação precisa dos gatilhos iniciais e de possíveis comorbidades que sustentam o vício. Ademais, tratar transtornos mentais associados impede que sintomas paralelos retroalimentem a dependência química. Dessa forma, uma abordagem holística e investigativa assegura uma recuperação profunda, atacando tanto as causas quanto as consequências da patologia.

Certamente, o estigma pós-reabilitação impõe barreiras severas à reintegração social e ao retorno laboral do indivíduo. Invariavelmente, a natureza genética do alcoolismo exige a estruturação de uma rede de apoio robusta e especializada para monitorar vulnerabilidades. Sobretudo, em quadros de alta gravidade, a internação torna-se a estratégia mais segura para garantir o isolamento da substância e o suporte técnico intensivo. Logo, o acolhimento hospitalar protege o paciente durante a desintoxicação, pavimentando o caminho para o restabelecimento de sua autonomia e dignidade.

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NÓS LIGAMOS PARA VOCÊ

Fabrício Selbmann é psicanalista, palestrante sobre Dependência Química e diretor da Recanto Clínica Hospitalar – rede de três clínicas de tratamento para dependência química e saúde mental, referência no Norte e Nordeste nesse segmento.

Especialista em Dependência Química pela UNIFESP, pós-graduado em Filosofia | Neurociências | Psicanalise pela PUC-RS, além de especialização na Europa sobre o modelo de tratamento Terapia Racional Emotiva (Minessota).

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